Letras Encantadas

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Logo by Patrícia Helena Passos

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Depoimento da Rita Isabel Marcicano Zini





 Ler para mim, foi na adolescência, o antídoto para muitos problemas e decepções que me rondavam. Depois de ser o remédio, passou a ser o alimento, nutrindo minha alma  com esperança, conhecimento, risos e possibilidades.
Hoje a leitura é prazer, mas também trabalho e nem por isso  perdeu o encanto, pois não é aquela coisa que faço por obrigação -  e sim por sentir necessidade, vontade, desejo...


quarta-feira, 24 de abril de 2013

Um conto, mil encantos


Um conto, mil encantos
A atriz Rosi Campos faz uma leitura cativante do conto A Fiandeira Fátima e a Tenda. Além de emocionar e entreter, o vídeo revela a importância deste gênero.
                                                                         http://www.ejamundodotrabalho.sp.gov.br


"A leitura de um bom livro é um diálogo incessante: o livro fala e a alma responde."
(André Maurois)
Primeiros Passos no Caminho da Leitura

Lendo sobre a vivência dos colegas, comecei a relembrar muita coisa 
que tinha quase se perdido na minha memória e seus relatos me fizeram 
viajar de volta para a minha infância. O livro "Meu Pé de Laranja Lima", 
por exemplo, eu li três vezes e chorava muito em todas, sempre me 
colocava no lugar do personagem principal e sofria com ele e como ele... 
Depois, por recomendação de minha mãe, li "Éramos Seis" que também 
adorei, e claro, também chorei horrores! Na mesma época,  li 
"O Menino do Dedo Verde", e como foram todos muito marcantes, 
cada um à sua maneira, até hoje associo um ao outro. Muito bom 
relembrar!
Pude perceber que, na grande maioria dos relatos, a família ocupa 
um papel importante no desenvolvimento da competência leitora das 
crianças e como o exemplo é importante ao aguçar a curiosidade e 
incentivar a prática da leitura. Meu caso não foi diferente: não me 
lembro de minha mãe me contando histórias, mas me recordo 
claramente do caminho que fazíamos, cruzando a praça da matriz 
de Aguaí, uma vez por mês, para escolhermos os livros que iríamos
ler, em uma biblioteca bastante diferente: chegava na praça central 
um grande caminhão adaptado, parecido com um trailer de filme 
americano, que funcionava como uma biblioteca ambulante, parando 
a cada dia em uma cidade diferente. A cada vez que eu entrava lá, 
me sentia entrando em um lugar mágico, onde eu poderia escolher 
a história que eu queria viver nos próximos trinta dias. Foi aí que 
conheci Monteiro Lobato e me apaixonei pelo Pedrinho, pela Emília 
e pelo Visconde de Sabugosa. Lembro que quando li sobre o casamento 
da Narizinho com o Príncipe do Reino das Águas Claras, queria que o 
meu vestido de casamento fosse igualzinho ao dela, com a saia se 
mexendo como as águas do riacho e com os peixinhos nadando! 
Boas recordações...
O livro "As Meninas" também foi importante para a minha formação. 
Nessa fase, queria ser escritora como a autora Lígia Fagundes Telles e 
criar histórias envolventes como as dela, mas no final decidi que como 
escritora, eu era uma excelente leitora e me conformei com meu 
papel - delicioso e confortável - de leitora... E assim fui descobrindo 
novos mundos e novos escritores, de Gabriel Garcia Marquez com 
"Cem Anos de Solidão" a Manuel Puig com "Boquitas Pintadas". De 
"Germinal", exigido por uma professora na faculdade, do autor Emile 
Zola - de quem nunca tinha ouvido falar - até  "Crime e Castigo", de 
Dostoievski, recomendado por um colega de trabalho. Em cada livro 
descobria um mundo novo, um novo caminho se abria para mim, me 
levando a buscar sempre mais e mais. Creio que ler cada um desses 
livros, foi como se fossem jogadas sementes, que ao crescer, foram 
despertando em mim a vontade de explorar, viajar e conhecer novos 
lugares, como eu fazia em minha imaginação. Ah, e os poetas... 
Quantas vezes usei versos do Carlos Drummond e do Pablo Neruda 
para expressar o que eu sentia quando estava apaixonada? 
Recentemente, um amigo que trabalha comigo e também é um 
leitor apaixonado pela leitura e pelos livros (como nós todos do grupo, 
pelo que eu vejo), me disse um dia desses que ao fabricar livros, 
algumas editoras colocam essência de baunilha no papel para provocar 
e incentivar o leitor. Não sei se é verdade, mas achei a história 
linda...e doce! Será que é por isso que somos tão apaixonados pela 
leitura e pelos livros?

terça-feira, 23 de abril de 2013

Dia Mundial do Livro


Nesta terça-feira (23) é comemorado, internacionalmente, o Dia Mundial do Livro e dos Direitos Autorais. A data foi instituída há 17 anos pela Organização das Nações Unidas para a educação, a ciência e a cultura – Unesco. A escolha da data se justifica por representar o aniversário de morte de dois destaques da literatura universal: William Shakespeare e Miguel de Cervantes.

Experiência com a leitura e a escrita


Minhas recordações são da minha avó paterna, a Vó Ilda, que adorava nos contar causos... os preferidos? Sempre os de medo... bruxas, fantasmas. Os momentos de contação de causos era a noite e quando faltava a luz... meu Deus ela caprichava, a impressão que tinha era que um daqueles personagens também estavam ali ouvindo... até os barulhos colaboravam, inclusive os estalos da vela.

Quanto à leitura me recordo das férias que passava em Ribeirão Preto, na casa da minha madrinha que me apresentou Monteiro Lobato...incrível! Bons tempos e boas aventuras.

Adolescente me encantei por Senhora de José de Alencar e outros romances. Também adorava fazer paródias, fiz uma paródia da música Menina Veneno e, podem acreditar eu e minhas amigas cantamos para o Ritchie... coisas de adolescente, tentei até me lembrar da letra, mas não consegui, já faz alguns anos.


Rita Faria

segunda-feira, 22 de abril de 2013

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Minhas primeiras experiências de leitura e escrita

Eu comecei a ler muito cedo com a ajuda da minha mãe. 
Lia os jornais que embrulhavam as bananas que minha mãe comprava. 
Meu primeiro livro foi a minha cartilha, quando entrei na escola. 
Como eu já sabia ler e escrever, minha professora, D. Carmelita, colocou a minha carteira ao lado da dela e me dava livros para ler e escrever resumos. 
O primeiro foi No país das formigas, porque eu era apaixonada pelas formigas que viviam no jardim da minha casa. 
Eu sempre amei ler! 
Tinha carteirinha da biblioteca da Lapa e retirava livros todas as semanas. 
Eu não me lembro de ter ficado algum período da minha vida sem ler algum livro e passei este amor ao meu filho. O primeiro presente dele, antes dele nascer, foi um livro de banho!
                                                               
                                                             





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Graciliano Ramos...


Leitura: um exercício que traz resultados.



Pode  ser difícil no começo, 












Mas devagar pode levar-nos longe.

domingo, 21 de abril de 2013

Minha experiência leitora.


Não sei dizer ao certo quando o primeiro livro entrou em minha vida, lembro-me que era um trabalho de escola e que o livro fora emprestado por uma  tia, que recomendara muito cuidado pois se tratava de livro de coleção, aliás de capa dura, todo azul e com o título  em destaque “ A ilha perdida”.
Foi então dada a largada para a mais encantadora das viagens que uma pessoa pode realizar: a leitura. Na sequência essa mesma tia emprestou-me Robison Crusoé, com as mesmas recomendações, é claro. Mas, já não se faziam necessárias, descobri muito rápido como aquele objeto era mágico e valioso.
A leitura passou a ser meu passatempo predileto, no entanto a qualidade de livros  que estavam ao meu alcance era duvidosa. Não sei ao certo como li uma coleção inteira de uns livrinhos “de capa mole” que levantaram minhas suspeitas quanto à qualidade, mas não o suficiente para impedi-las : Júlia, Camila, Pamela... romancezinhos  xaropes.
O tempo que a tudo cura, trouxe experiências mais emocionantes e significativas. As leituras que a professora pedia dos clássicos românticos, não me desapontaram e  alguns deles ganharam reprise de vários trechos : A Moreninha de Joaquim Manuel de Macedo com sua  exaustiva descrição alimentava minha imaginação, Carolina – a heroína – era exemplo de comportamento; A escrava Isaura;  Lucíola, de Alencar , Amor de Perdição; Inocência... ah, de verdade gostava de todas essas leituras, percebia que não era muito comum.
Os gêneros começaram a se diversificar, infelizmente  a poesia nunca foi o meu forte, mas as crônicas se adaptaram ao meu novo estilo, precisava de algo que fizesse uma ponte entre o atual e o imaginário e aquele espaço  em que um gesto, um simples acontecimento, uma frase, uma manchete de jornal, desencadeava  uma série de  reflexões me fascinaram.
Comprar livros não fazia parte do meu  universo, na verdade durante toda a adolescência  o verbo comprar foi muito pouco conjugado, no entanto emprestar era rotina!
Bibliotecas são templos. Deve ser por isso que o depoimento de  Ruben Alves  comparando a leitura à um ritual  de antropofagia e misticismo me tocou tanto.
Além das bibliotecas os amigos eram os maiores fornecedores de leituras e como “ a cavalo dado , no caso emprestado, não se olha os dentes”, aceitava  quase todas as sugestões. Livros de autoajuda, romances  de Harold Hobins traduzidos, Agatha Christi, Jorge Amado, I ching, Admirável Mundo Novo – e como foi admirável, Revolução dos Bichos, 1984 – tão atual, Pablo Neruda. A diversidade alimentou a curiosidade.
Na faculdade a presença dos grandes transcendeu inicialmente todas as outras leituras: Drummond, Fernando Pessoa, Millor Fernandes, Murilo Mendes, Fernando Sabino, Moacyr Scliar, Machado de Assis, Gilberto Dimenstein... Clarice Lispector  traduziu-nos em A Felicidade Clandestina –“ não era uma criança com um livro nas mãos, era uma mulher com seu amante nos braços”. Mas como eu disse anteriormente transcenderam inicialmente, para depois num gesto de magnânima generosidade, que só aos  grandes pertence, fizeram-me compreender que algumas das experiências inicias, não muito elogiosas, é que prepararam o caminho para as leitura futuras e fizeram de mim uma leitora apaixonada.
                                                                                                                                                  Rita Zini.

Toquinho...


Doce recordação...


Primeiro contato com a leitura

Ao ler e ouvir os depoimentos, me identifiquei com alguns e também fiz uma deliciosa viagem ao passado... Gostei do final da fala da Marilena Chauí “...os escritores passados se tornam presentes, os escritores presentes dialogam com o passado e anunciam o futuro”, e concordo com ela, afinal cada página que viramos ao ler um livro fazemos esse diálogo temporal, seja ele histórico ou futurista. Newton Mesquita definiu bem: “...aquilo toca na sua essência e detona tantas ideias e fantasias que se torna parte de sua vida...” e não há como não concordar com sua fala! Assim como Nina Horta, eu também levo – ao menos um – livro(s) na minha bagagem quando viajo. Antônio Cândido foi magnífico em sua fala “"As produções literárias, de todos os tipos e todos os níveis, satisfazem necessidades básicas do ser humano, sobretudo através dessa incorporação, que enriquece a nossa percepção e a nossa visão do mundo...”. A analogia de Rubem Alves, perfeita! Mas minha viagem ao passado ocorreu ao ouvir os depoimentos de Gabriel, o Pensador e Gilberto Gil, que mencionam a avó como pessoa querida e influente na vida deles.
Tenho excelentes recordações de minha mãe, que não influenciou apenas a mim, mas também aos meus irmãos. Minha mãe sempre foi boa leitora e apaixonada por livros – até hoje! Ela tem uma biblioteca particular em sua casa de dar inveja. Mas enfim, voltando ao passado, lembro-me que eu e meus dois irmãos, ao retornar da escola no final da tarde, queríamos andar de bicicleta na Lagoa do Taquaral, um famoso parque em Campinas próximo de nossa casa. E sempre fomos, ela nunca nos proibiu - e ia conosco, pedalar... Quando anoitecia, retornávamos para a casa, tomávamos banho, jantávamos e sentávamos no sofá, onde minha mãe perguntava como fora o dia na escola. Após breve conversa, ela pegava um livro e começava a ler. Era proibido ligar a TV neste momento. Se quiséssemos assisti-la, tínhamos que ir ao quarto dela, onde meu pai via o jornal. Como jornal não é um programa atrativo para crianças, fazíamos companhia. E ao observá-la, passamos a ler também. Quando minha mãe percebeu, começou a adquirir livros adequados para nós. Pronto, não paramos mais. Líamos um livro por semana, depois fazíamos rodízio: o livro que eu li, passava para meu irmão mais velho, que passava o seu para o meu irmão mais novo e eu lia o que este lera. Na semana seguinte, novo rodízio. Quando os três já haviam lido os diferentes livros, ela adquiria mais três e aí começava tudo de novo. Até hoje, nas reuniões familiares, trocamos percepções acerca dos livros que lemos. Enfim, comecei meu gosto pela leitura pelas aventuras da Turma do Pica-Pau Amarelo, ainda criança. Depois vieram os livros da série Vagalume, já iniciando a adolescência. Ganhei um concurso de redação: duas entradas para o Playcenter! Passei pela fase Agatha Christie e Sir Arthur Conan Doyle, indicação de minha tia, que mora na Inglaterra. Começou aí meu interesse também pela literatura estrangeira.
Na faculdade: me encantei com as poesias de John Keats, Lord Byron e Mary Shelley (senti-me lisonjeada ao descobrir que meu sobrenome é uma variação do sobrenome do secretário de Lord Byron, John Polidori, que não foi tão famoso e conhecido quanto Lord Byron, mas também escreveu suas histórias) ri com as comédias de William Congreve e John Vanbrugh,  o romantismo de Oscar Wilde, Walter Pater, George Elliot. A “Era Dickens” fascinava-me com seu estilo bem humorado em retratar a vida em Londres, enfim, são tantos escritores fabulosos que sinto-me mal em não relatá-los aqui. Em relação a literatura nacional: adoro “os olhos de ressaca da Capitu”, a emocionante e triste história da cadela Baleia, os “invejáveis” cabelos mais negros que a asa da graúna e seus lábios de mel, e o que dizer do herói de nossa gente, que nasceu no mato virgem? Os detalhes descritos no O Cortiço faz com que o leitor realmente visualize a pobreza, podridão e promiscuidade que os personagens viviam, fantástico!
Mas, são dois os livros que sempre releio: Dom Quixote de La Mancha e Os Contos da Cantuária – não sei exatamente o motivo, creio que o contexto histórico em ambas me fascina.
Entretanto, gostaria de esclarecer que essas obras literárias só aprendi a gostar de lê-las na faculdade, quando comecei a estudar profundamente e passei a compreender todo o contexto histórico e cultural no qual a obra foi escrita. Na escola considerava essas leituras chatas e "paradas", com um vocabulário incompreensível, e que eu era "obrigada" a ler porque a professora queria. Agora imaginem uma adolescente, que era acostumada a ler Agatha Christie, por exemplo, numa leitura que era envolvente, que prendia a atenção do leitor, ter que ler (contra sua vontade) Graciliano Ramos, uma leitura que exige atenção, bom conhecimento lexical e ainda contextualizar o período histórico para compreendê-la, numa época onde a contextualização não era utilizada pelos professores...