Letras Encantadas

Letras Encantadas
Logo by Patrícia Helena Passos

domingo, 21 de abril de 2013

Minha experiência leitora.


Não sei dizer ao certo quando o primeiro livro entrou em minha vida, lembro-me que era um trabalho de escola e que o livro fora emprestado por uma  tia, que recomendara muito cuidado pois se tratava de livro de coleção, aliás de capa dura, todo azul e com o título  em destaque “ A ilha perdida”.
Foi então dada a largada para a mais encantadora das viagens que uma pessoa pode realizar: a leitura. Na sequência essa mesma tia emprestou-me Robison Crusoé, com as mesmas recomendações, é claro. Mas, já não se faziam necessárias, descobri muito rápido como aquele objeto era mágico e valioso.
A leitura passou a ser meu passatempo predileto, no entanto a qualidade de livros  que estavam ao meu alcance era duvidosa. Não sei ao certo como li uma coleção inteira de uns livrinhos “de capa mole” que levantaram minhas suspeitas quanto à qualidade, mas não o suficiente para impedi-las : Júlia, Camila, Pamela... romancezinhos  xaropes.
O tempo que a tudo cura, trouxe experiências mais emocionantes e significativas. As leituras que a professora pedia dos clássicos românticos, não me desapontaram e  alguns deles ganharam reprise de vários trechos : A Moreninha de Joaquim Manuel de Macedo com sua  exaustiva descrição alimentava minha imaginação, Carolina – a heroína – era exemplo de comportamento; A escrava Isaura;  Lucíola, de Alencar , Amor de Perdição; Inocência... ah, de verdade gostava de todas essas leituras, percebia que não era muito comum.
Os gêneros começaram a se diversificar, infelizmente  a poesia nunca foi o meu forte, mas as crônicas se adaptaram ao meu novo estilo, precisava de algo que fizesse uma ponte entre o atual e o imaginário e aquele espaço  em que um gesto, um simples acontecimento, uma frase, uma manchete de jornal, desencadeava  uma série de  reflexões me fascinaram.
Comprar livros não fazia parte do meu  universo, na verdade durante toda a adolescência  o verbo comprar foi muito pouco conjugado, no entanto emprestar era rotina!
Bibliotecas são templos. Deve ser por isso que o depoimento de  Ruben Alves  comparando a leitura à um ritual  de antropofagia e misticismo me tocou tanto.
Além das bibliotecas os amigos eram os maiores fornecedores de leituras e como “ a cavalo dado , no caso emprestado, não se olha os dentes”, aceitava  quase todas as sugestões. Livros de autoajuda, romances  de Harold Hobins traduzidos, Agatha Christi, Jorge Amado, I ching, Admirável Mundo Novo – e como foi admirável, Revolução dos Bichos, 1984 – tão atual, Pablo Neruda. A diversidade alimentou a curiosidade.
Na faculdade a presença dos grandes transcendeu inicialmente todas as outras leituras: Drummond, Fernando Pessoa, Millor Fernandes, Murilo Mendes, Fernando Sabino, Moacyr Scliar, Machado de Assis, Gilberto Dimenstein... Clarice Lispector  traduziu-nos em A Felicidade Clandestina –“ não era uma criança com um livro nas mãos, era uma mulher com seu amante nos braços”. Mas como eu disse anteriormente transcenderam inicialmente, para depois num gesto de magnânima generosidade, que só aos  grandes pertence, fizeram-me compreender que algumas das experiências inicias, não muito elogiosas, é que prepararam o caminho para as leitura futuras e fizeram de mim uma leitora apaixonada.
                                                                                                                                                  Rita Zini.

Nenhum comentário:

Postar um comentário