Letras Encantadas

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Logo by Patrícia Helena Passos

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Primeiros Passos no Caminho da Leitura

Lendo sobre a vivência dos colegas, comecei a relembrar muita coisa 
que tinha quase se perdido na minha memória e seus relatos me fizeram 
viajar de volta para a minha infância. O livro "Meu Pé de Laranja Lima", 
por exemplo, eu li três vezes e chorava muito em todas, sempre me 
colocava no lugar do personagem principal e sofria com ele e como ele... 
Depois, por recomendação de minha mãe, li "Éramos Seis" que também 
adorei, e claro, também chorei horrores! Na mesma época,  li 
"O Menino do Dedo Verde", e como foram todos muito marcantes, 
cada um à sua maneira, até hoje associo um ao outro. Muito bom 
relembrar!
Pude perceber que, na grande maioria dos relatos, a família ocupa 
um papel importante no desenvolvimento da competência leitora das 
crianças e como o exemplo é importante ao aguçar a curiosidade e 
incentivar a prática da leitura. Meu caso não foi diferente: não me 
lembro de minha mãe me contando histórias, mas me recordo 
claramente do caminho que fazíamos, cruzando a praça da matriz 
de Aguaí, uma vez por mês, para escolhermos os livros que iríamos
ler, em uma biblioteca bastante diferente: chegava na praça central 
um grande caminhão adaptado, parecido com um trailer de filme 
americano, que funcionava como uma biblioteca ambulante, parando 
a cada dia em uma cidade diferente. A cada vez que eu entrava lá, 
me sentia entrando em um lugar mágico, onde eu poderia escolher 
a história que eu queria viver nos próximos trinta dias. Foi aí que 
conheci Monteiro Lobato e me apaixonei pelo Pedrinho, pela Emília 
e pelo Visconde de Sabugosa. Lembro que quando li sobre o casamento 
da Narizinho com o Príncipe do Reino das Águas Claras, queria que o 
meu vestido de casamento fosse igualzinho ao dela, com a saia se 
mexendo como as águas do riacho e com os peixinhos nadando! 
Boas recordações...
O livro "As Meninas" também foi importante para a minha formação. 
Nessa fase, queria ser escritora como a autora Lígia Fagundes Telles e 
criar histórias envolventes como as dela, mas no final decidi que como 
escritora, eu era uma excelente leitora e me conformei com meu 
papel - delicioso e confortável - de leitora... E assim fui descobrindo 
novos mundos e novos escritores, de Gabriel Garcia Marquez com 
"Cem Anos de Solidão" a Manuel Puig com "Boquitas Pintadas". De 
"Germinal", exigido por uma professora na faculdade, do autor Emile 
Zola - de quem nunca tinha ouvido falar - até  "Crime e Castigo", de 
Dostoievski, recomendado por um colega de trabalho. Em cada livro 
descobria um mundo novo, um novo caminho se abria para mim, me 
levando a buscar sempre mais e mais. Creio que ler cada um desses 
livros, foi como se fossem jogadas sementes, que ao crescer, foram 
despertando em mim a vontade de explorar, viajar e conhecer novos 
lugares, como eu fazia em minha imaginação. Ah, e os poetas... 
Quantas vezes usei versos do Carlos Drummond e do Pablo Neruda 
para expressar o que eu sentia quando estava apaixonada? 
Recentemente, um amigo que trabalha comigo e também é um 
leitor apaixonado pela leitura e pelos livros (como nós todos do grupo, 
pelo que eu vejo), me disse um dia desses que ao fabricar livros, 
algumas editoras colocam essência de baunilha no papel para provocar 
e incentivar o leitor. Não sei se é verdade, mas achei a história 
linda...e doce! Será que é por isso que somos tão apaixonados pela 
leitura e pelos livros?

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