Primeiros Passos no Caminho da Leitura
Lendo sobre a vivência dos colegas, comecei a relembrar muita coisa
que tinha quase se perdido na minha memória e seus relatos me fizeram
viajar de volta para a minha infância. O livro "Meu Pé de Laranja Lima",
por exemplo, eu li três vezes e chorava muito em todas, sempre me
colocava no lugar do personagem principal e sofria com ele e como ele...
Depois, por recomendação de minha mãe, li "Éramos Seis" que também
adorei, e claro, também chorei horrores! Na mesma época, li
"O Menino do Dedo Verde", e como foram todos muito marcantes,
cada um à sua maneira, até hoje associo um ao outro. Muito bom
relembrar!
Pude perceber que, na grande maioria dos relatos, a família ocupa
um papel importante no desenvolvimento da competência leitora das
crianças e como o exemplo é importante ao aguçar a curiosidade e
incentivar a prática da leitura. Meu caso não foi diferente: não me
lembro de minha mãe me contando histórias, mas me recordo
claramente do caminho que fazíamos, cruzando a praça da matriz
de Aguaí, uma vez por mês, para escolhermos os livros que iríamos
ler, em uma biblioteca bastante diferente: chegava na praça central
um grande caminhão adaptado, parecido com um trailer de filme
americano, que funcionava como uma biblioteca ambulante, parando
a cada dia em uma cidade diferente. A cada vez que eu entrava lá,
me sentia entrando em um lugar mágico, onde eu poderia escolher
a história que eu queria viver nos próximos trinta dias. Foi aí que
conheci Monteiro Lobato e me apaixonei pelo Pedrinho, pela Emília
e pelo Visconde de Sabugosa. Lembro que quando li sobre o casamento
da Narizinho com o Príncipe do Reino das Águas Claras, queria que o
meu vestido de casamento fosse igualzinho ao dela, com a saia se
mexendo como as águas do riacho e com os peixinhos nadando!
Boas recordações...
O livro "As Meninas" também foi importante para a minha formação.
Nessa fase, queria ser escritora como a autora Lígia Fagundes Telles e
criar histórias envolventes como as dela, mas no final decidi que como
escritora, eu era uma excelente leitora e me conformei com meu
papel - delicioso e confortável - de leitora... E assim fui descobrindo
novos mundos e novos escritores, de Gabriel Garcia Marquez com
"Cem Anos de Solidão" a Manuel Puig com "Boquitas Pintadas". De
"Germinal", exigido por uma professora na faculdade, do autor Emile
Zola - de quem nunca tinha ouvido falar - até "Crime e Castigo", de
Dostoievski, recomendado por um colega de trabalho. Em cada livro
descobria um mundo novo, um novo caminho se abria para mim, me
levando a buscar sempre mais e mais. Creio que ler cada um desses
livros, foi como se fossem jogadas sementes, que ao crescer, foram
despertando em mim a vontade de explorar, viajar e conhecer novos
lugares, como eu fazia em minha imaginação. Ah, e os poetas...
Quantas vezes usei versos do Carlos Drummond e do Pablo Neruda
para expressar o que eu sentia quando estava apaixonada?
Recentemente, um amigo que trabalha comigo e também é um
leitor apaixonado pela leitura e pelos livros (como nós todos do grupo,
pelo que eu vejo), me disse um dia desses que ao fabricar livros,
algumas editoras colocam essência de baunilha no papel para provocar
e incentivar o leitor. Não sei se é verdade, mas achei a história
linda...e doce! Será que é por isso que somos tão apaixonados pela
leitura e pelos livros?
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